Leilão da Nova Raposo: Quatro empresas disputam concessão de R$ 7,9 bilhões; Impacto nas ações de CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)
O leilão da concessão da Nova Raposo ocorrerá nesta quinta-feira (28), com quatro grupos disputando o projeto que envolve R$ 7,9 bilhões de investimento, sendo R$ 1,3 bilhão voltado para segurança viária.
Leilão da Nova Raposo: quatro empresas disputam concessão de R$ 7,9 bilhões; Impacto nas ações de CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3)
Nesta quinta-feira (28), o mercado de concessões rodoviárias ganha um novo capítulo com o leilão do projeto Nova Raposo, um investimento de R$ 7,9 bilhões para modernizar trechos importantes da rodovia Raposo Tavares (SP-270), na Grande São Paulo. O leilão, que ocorrerá às 16h na B3, promete movimentar o setor de infraestrutura, com quatro grupos concorrendo pela concessão. O investimento inclui R$ 1,3 bilhão exclusivamente para a segurança viária, reforçando a relevância do projeto para o Estado de São Paulo. As principais empresas envolvidas – CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3) – devem ter seus desempenhos no mercado impactados, com possíveis desdobramentos financeiros.
O que é o projeto Nova Raposo e qual sua importância?
O leilão da concessão Nova Raposo tem como objetivo a modernização e operação de 92 quilômetros de rodovias no Estado de São Paulo, abrangendo os trechos urbanos da Raposo Tavares (SP-270) entre a capital paulista e Cotia. O lote também inclui as rodovias SP-280, SP-029, e o trecho municipal entre Cotia e Embu das Artes, que fica paralelo ao Rodoanel Oeste. Este investimento é visto como essencial para melhorar a mobilidade e a segurança na região, com um foco especial na revitalização da infraestrutura urbana, o que inclui intervenções que envolvem desapropriações e obras complexas próximas à entrada de São Paulo.
O leilão, que será realizado na B3, é considerado um dos maiores do ano, com quatro empresas disputando a concessão. O valor total estimado de R$ 7,9 bilhões será aplicado em uma série de melhorias no trecho rodoviário, com R$ 1,3 bilhão destinado exclusivamente para segurança viária, evidenciando o compromisso com a redução de acidentes e aumento da segurança para motoristas e pedestres.
Empresas participantes e a competitividade do leilão
O leilão conta com quatro grupos principais concorrendo pela concessão: CCR (CCRO3), Ecorodovias (ECOR3), EPR (Equipav e Perfin) e Via Appia. A expectativa é de um leilão competitivo, com os investidores oferecendo o maior valor possível para a taxa de concessão, sendo o lance mínimo fixado em R$ 4,6 milhões. O projeto Nova Raposo é considerado mais desafiador em relação a outros leilões anteriores devido às intervenções urbanas e desapropriações necessárias para a execução das obras, principalmente nas regiões próximas à entrada de São Paulo.
O projeto tem atraído uma boa quantidade de participantes, refletindo a crescente competitividade no mercado de concessões rodoviárias. Segundo Fernando Vernalha, advogado e sócio do escritório Vernalha Pereira, a presença de novos players no setor, além dos tradicionais operadores, mostra o fortalecimento do mercado de concessões no Brasil. Ele também destaca que, diferente de leilões de rodovias no passado, que apresentavam baixa competitividade, as licitações recentes têm mostrado um bom desempenho, com um número crescente de investidores.
O que está em jogo para CCR e Ecorodovias?
CCR (CCRO3), que já opera trechos na rodovia ViaOeste, atual concessionária da Raposo Tavares, tem sinergias significativas com o projeto Nova Raposo. Para a empresa, a participação nesse leilão pode representar uma oportunidade estratégica para ampliar sua presença na região metropolitana de São Paulo e otimizar suas operações. A CCR já havia vencido o leilão do lote Rota Sorocabana em outubro, com um investimento de R$ 1,45 bilhão, o que fortalece ainda mais sua posição no setor.
Por outro lado, Ecorodovias (ECOR3), que ficou em segundo lugar no leilão da Rota Sorocabana, também é vista como um forte competidor para o Nova Raposo. A empresa tem se mostrado interessada em expandir sua operação, especialmente considerando o pipeline robusto de rodovias pedagiadas que será lançado em breve, com mais projetos previstos até o final de 2024. A presença de ambas as empresas no leilão indica que o projeto pode ser mais competitivo do que muitos antecipavam.
Expectativas do mercado e impacto nas ações de CCRO3 e ECOR3
O impacto imediato para as ações de CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3), segundo o Bank of America, tende a ser neutro, dependendo da forma como os lances são oferecidos e das eficiências alcançadas pelas empresas em relação aos custos previstos pelo governo. No entanto, o sucesso no leilão e a subsequente aquisição da concessão podem resultar em uma valorização das ações das empresas ao longo do tempo, especialmente se as sinergias e os retornos financeiros se concretizarem conforme o esperado.
A CCR, com uma forte posição de mercado, provavelmente se beneficiará do projeto, visto que ele está alinhado à sua estratégia de expansão em rodovias urbanas e metropolitanas. Já a Ecorodovias precisará avaliar o retorno sobre o investimento e o impacto das obras no fluxo de caixa, dado o nível de risco envolvido nas desapropriações e nas intervenções urbanas.