Fitch prevê aumento no protecionismo dos EUA após eleições: China, México e Canadá podem ser os mais impactados

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Última atualização:  28 de ago, 2024 às 16:36
Fitch prevé aumento no protecionismo dos EUA após eleições: China, México e Canadá podem ser os mais impactados

A Fitch Ratings divulgou um relatório detalhado na quarta-feira (28) sobre as possíveis implicações comerciais das eleições de novembro nos Estados Unidos. Segundo a agência de avaliação de risco, um possível aumento no protecionismo americano pode afetar significativamente três países principais: China, México e Canadá. Esses países, que representam uma grande parte das importações americanas, seriam os mais vulneráveis a um endurecimento nas políticas comerciais dos EUA.

O que é o protecionismo? Trata-se de políticas comerciais que buscam proteger a indústria nacional através da imposição de tarifas e restrições às importações. Com as eleições se aproximando, a Fitch prevê que os Estados Unidos possam adotar medidas protecionistas mais rígidas, o que terá um impacto considerável em seus principais parceiros comerciais. A expectativa é que, se os candidatos que defendem o protecionismo ganharem, isso possa intensificar barreiras comerciais e tarifas.

De acordo com o relatório da Fitch, o México, a China e o Canadá são os países mais suscetíveis a essas mudanças. Esses três países respondem por mais de 40% das importações dos EUA e, portanto, possuem uma alta exposição ao risco de novas medidas protecionistas. Essa situação poderia provocar desafios econômicos significativos para essas nações, dado o seu alto nível de dependência das exportações para os Estados Unidos.

O relatório da Fitch ressalta que as exportações para os EUA são fundamentais para a economia do México e do Canadá. Cerca de 80% das exportações de bens do México e do Canadá são destinadas ao mercado americano. Para o México, essas exportações representam mais de 20% do seu PIB, evidenciando a importância do mercado americano para sua economia. Da mesma forma, o Canadá também tem uma dependência significativa, o que coloca ambos os países em uma posição vulnerável caso novas tarifas sejam impostas.

A análise da Fitch também destaca o Vietnã, que se junta a esses países em termos de alta dependência das exportações para os EUA. No entanto, a China, apesar de ter uma proporção menor de exportações para os EUA em relação ao seu PIB – cerca de 3% – também enfrentaria desafios. Isso se deve ao fato de que setores-chave como máquinas e equipamentos elétricos, que compõem quase metade das importações americanas da China, poderiam ser alvo de novas restrições.

A Fitch identificou que, embora a proporção das exportações chinesas para os EUA seja menor comparada com o México e o Canadá, setores específicos como máquinas e equipamentos elétricos estão particularmente vulneráveis a novas políticas protecionistas. Esses setores são responsáveis por uma parte significativa das importações americanas da China, incluindo computadores e telefones, que representam cerca de um quinto das importações.

Além disso, o relatório revela que as importações dos EUA da União Europeia têm uma composição mais diversificada. Máquinas são a maior categoria, representando 22% das importações, seguidas por produtos farmacêuticos, que cobrem quase 20% das importações, e veículos, que representam cerca de 13%. Essa diversificação pode proporcionar uma certa resiliência em comparação com as importações de países altamente dependentes das exportações para os EUA.