Fiagros prometem nova maré positiva com impulso de regulamentação e cotas “baratas”

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Última atualização:  03 de set, 2024 às 14:25
Fiagros prometem nova maré positiva com impulso de regulamentação e cotas “baratas”

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) estão prestes a enfrentar uma reviravolta positiva no segundo semestre de 2024. Após uma crise inicial marcada por inadimplência de títulos de dívida, especialistas acreditam que o setor pode se recuperar rapidamente. A expectativa é de que a nova regulamentação e o surgimento de novas oportunidades financeiras revigorem o mercado.

Os Fiagros, que passaram por um momento de crise em 2024 devido à inadimplência de títulos de dívida, mostram sinais de recuperação. Paulo Mesquita, sócio e gestor da Riza Asset, afirmou em um painel da Expert XP que agosto trouxe uma recuperação significativa para o setor. Segundo Mesquita, a crise de crédito que afetou os Fiagros parece ter atingido seu pico, e agora os investidores estão voltando a adquirir ativos, acreditando que o pior já passou.

“A recuperação está em curso, e as inadimplências recentes não superaram 1% dos fundos. Esses problemas foram casos isolados e não devem ser generalizados para todo o setor”, destacou Mesquita. Ele prevê que, à medida que os fundos retomem seus valores patrimoniais, surgirão novas ofertas secundárias e a criação de novos fundos, evidenciando um grande potencial de crescimento.

Regulamentação e novas oportunidades

A regulamentação final dos Fiagros, que deve ser divulgada entre setembro e outubro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é vista como um marco crucial para o setor. O novo texto regulamentar deverá introduzir os “Fiagros multimercados”, permitindo que os fundos diversifiquem ainda mais seus investimentos.

Essa mudança promete liberar uma gama maior de produtos para os Fiagros investirem, o que pode resultar em rendimentos mais altos e novas possibilidades de financiamento. Mesquita descreve a nova regulamentação como um “novo mundo” para os investidores, destacando que a criatividade brasileira pode levar à criação de fundos e oportunidades que ainda não foram imaginadas.

Expectativas de crescimento e inovação

Paulo Mesquita vê a regulamentação iminente como uma chance para inovações significativas no setor de Fiagros. Ele acredita que a nova regulamentação abrirá portas para investimentos diretos em terras, culturas e iniciativas sustentáveis. Mesquita traça um paralelo com o mercado de Fundos Imobiliários (FIIs), que levou duas décadas para alcançar o nível atual de consolidação, sugerindo que os Fiagros estão apenas no início de sua jornada de crescimento.

“Assim como os FIIs passaram por uma evolução gradual, os Fiagros têm o potencial de seguir um caminho semelhante, com inovações e expansão contínuas”, afirmou Mesquita.

Visão do setor agroindustrial

Guilherme Nastari, diretor da Datagro, também contribuiu para a discussão, ressaltando o crescimento robusto do setor agroindustrial brasileiro. Ele mencionou a introdução de novas opções de cultivo no Brasil, como lavanda e oliveira, e destacou que o agro brasileiro está em um momento de excelência.

“O agro brasileiro, mesmo sem assistência externa, está predestinado ao sucesso. O mundo precisa ser alimentado, e o Brasil está bem posicionado para atender a essa demanda global”, afirmou Nastari. Ele rejeita a ideia de que os produtores enfrentam problemas de tecnologia ou logística, destacando que o país chegou ao topo nas principais culturas devido à sua capacidade e inovação.

Desafios e perspectivas futuras

Embora o setor agroindustrial brasileiro esteja em ascensão, Nastari enfatiza a importância de captar mais recursos do mercado de capitais para sustentar o ritmo acelerado de crescimento. Ele acredita que, enquanto o apoio governamental é valioso, o mercado de capitais pode oferecer uma resposta mais ágil e eficaz para as necessidades do setor.

“O mercado de capitais tem o potencial de complementar e acelerar o crescimento do agro, proporcionando recursos mais rápidos e assertivos”, concluiu Nastari.