Economia brasileira deve desacelerar em 2025, segundo Caio Megale da XP
Economia brasileira deve desacelerar em 2025, segundo Caio Megale da XP
Caio Megale, economista-chefe da XP, projetou uma desaceleração significativa da economia brasileira para 2025, prevendo um crescimento do PIB de apenas 1,8%. Em entrevista ao programa Morning Call da XP nesta sexta-feira (06), Megale destacou os principais fatores que influenciam essa previsão e as expectativas para a economia nacional nos próximos anos.
A XP revisou sua estimativa de crescimento do PIB para 2024, elevando-a de 2,7% para 3,1%. Esse ajuste é resultado do desempenho econômico mais robusto do segundo trimestre deste ano, que indicou uma economia doméstica mais aquecida do que o esperado. O mercado de trabalho também está pressionado, com empresas relatando dificuldades em encontrar mão de obra suficiente. Esse ambiente econômico mais forte sugere que o crescimento em 2024 pode ser mais expressivo do que anteriormente previsto.
Megale também abordou o impacto dos altos custos para as empresas, que são impulsionados por uma carga tributária crescente, salários mais altos e a desvalorização da moeda. Esses fatores estão pressionando a inflação, que a XP projeta em 4,4% para 2023 e 4% para 2024, ambos acima da meta inflacionária de 3%. A combinação desses custos elevados e a inflação pressionada estão criando um cenário econômico mais desafiador para as empresas e para a economia em geral.
O economista-chefe da XP prevê um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), programada para setembro. Esse movimento reflete a divergência entre a economia brasileira e a americana, com o Federal Reserve (Fed) dos EUA possivelmente reduzindo suas taxas de juros enquanto o Copom as eleva. Megale acredita que a alta da Selic é necessária para ajustar o juro de equilíbrio, já que a economia brasileira está superaquecer, diferentemente da economia americana.
Outro fator importante destacado por Megale é a queda nos preços das commodities, como petróleo, soja e milho. A redução desses preços pode afetar negativamente o fluxo de renda para o Brasil e, por conseguinte, a arrecadação do governo. A diminuição dos preços das commodities, especialmente o petróleo, representa um risco significativo, dado que o Brasil se tornou um importante exportador de petróleo. O preço do petróleo, por exemplo, caiu para cerca de US$ 72, o que pode impactar a arrecadação tributária do país.