Comércio brasileiro registra queda de 0,9% em fevereiro, aponta IVS

Em fevereiro de 2025, o comércio brasileiro enfrentou uma queda de 0,9%, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS).

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13 de mar, 2025 às 14:00
Comércio brasileiro registra queda de 0,9% em fevereiro, aponta IVS Comércio brasileiro registra queda de 0,9% em fevereiro, aponta IVS

Em fevereiro de 2025, o comércio brasileiro experimentou uma retração de 0,9%, conforme apontado pelo Índice do Varejo Stone (IVS). Após o sinal de recuperação no início do ano, a queda gerou preocupações sobre a continuidade da recuperação do setor. A comparação com o mesmo período do ano anterior mostrou um declínio de 1%, indicando que o cenário econômico ainda enfrenta desafios.

O IVS, ferramenta mensal criada pela Stone para monitorar o desempenho do varejo no Brasil, tornou-se um importante indicativo de como o setor está se comportando entre as divulgações oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento completo do IBGE sobre o desempenho do comércio em janeiro será divulgado na próxima sexta-feira, mas já é possível observar que o desempenho de fevereiro trouxe um alerta para o mercado.

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Varejo digital e físico

Um dos aspectos mais notáveis da pesquisa foi o contraste entre os resultados do comércio eletrônico e do varejo físico. O comércio digital teve um leve aumento de 0,4% na comparação mensal, mantendo uma trajetória positiva. Isso é especialmente significativo quando se considera que o varejo físico, por outro lado, registrou uma queda mais acentuada de 1,6%.

Este desempenho desigual é ainda mais evidente ao considerar a comparação anual. O comércio eletrônico avançou 10,8% em relação a fevereiro de 2024, enquanto as lojas físicas apresentaram uma queda de 3,7%. Esse cenário reflete uma tendência crescente de digitalização, mas também evidencia as dificuldades enfrentadas pelos pontos de venda físicos, que continuam lutando para se recuperar das pressões econômicas.

Setores de crescimento e retração

Entre os segmentos do comércio, alguns apresentaram crescimento, enquanto outros enfrentaram quedas significativas. O setor de Material de Construção, que teve um aumento de 0,7% em fevereiro, e o segmento de Móveis e Eletrodomésticos, que subiu 0,2%, foram as únicas áreas a registrar resultados positivos. Esses setores, tradicionalmente mais resilientes a crises econômicas, continuam a mostrar que a demanda por bens essenciais e melhorias em residências ainda sustenta parte do consumo no país.

Por outro lado, áreas como Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-5,9%), Hipermercados e Supermercados (-2,6%) e Combustíveis e Lubrificantes (-1,9%) mostraram retração. A queda nos hipermercados e supermercados, em especial, pode ser atribuída à desaceleração da demanda e aos aumentos nos preços de produtos essenciais, enquanto o setor de combustíveis ainda reflete os impactos das flutuações nos preços internacionais do petróleo.

O setor de Artigos Farmacêuticos, que também viu uma retração de 1,5%, e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-0,7%) mostraram uma desaceleração, provavelmente devido à diminuição no consumo de itens não essenciais.

Comparação anual

Na análise do comparativo anual, o setor de Combustíveis e Lubrificantes teve o melhor desempenho, com uma alta de 4,1%. Isso se deve, em grande parte, ao aumento nos preços dos combustíveis e à recuperação gradual da demanda, que impulsionaram as vendas. O segmento de Material de Construção, com uma alta de 2,5%, também manteve-se positivo, beneficiado pela continuidade de investimentos em obras e reformas no país.

Porém, muitos outros setores apresentaram quedas significativas. Livros, Jornais, Revistas e Papelaria enfrentaram a maior retração, com uma perda de 7,7%, refletindo uma mudança no comportamento de consumo e a substituição do formato físico por digital. Já Móveis e Eletrodomésticos, que mostraram uma retração de 6,4%, continuam a sofrer devido ao aumento das taxas de juros, o que torna o crédito mais caro e, consequentemente, diminui a capacidade de compra da população.

Desempenho estadual

A pesquisa também destacou as disparidades regionais no desempenho do comércio. Entre os estados que apresentaram crescimento no comparativo anual, Pernambuco (1,8%), Roraima (1,6%), Amazonas (1,1%) e Goiás (0,1%) se destacaram. Esses estados podem estar mais resilientes devido à economia local, ao crescimento da infraestrutura e ao aumento no consumo da classe média.

Por outro lado, alguns estados enfrentaram quedas expressivas. Mato Grosso do Sul, que registrou a maior retração (-8,4%), Santa Catarina (-6,6%) e Mato Grosso (-6,4%) enfrentaram desafios relacionados a fatores econômicos locais, como o desempenho agrícola e a crise do setor de exportações. Paraná (-5,7%), Rio Grande do Sul (-5,6%) e Rondônia (-5,9%) também apresentaram queda, refletindo o impacto das dificuldades macroeconômicas e do alto custo de vida.