Abastecimento de combustível de aviação pode levar meses para normalizar mesmo com reabertura do Estreito de Ormuz
O abastecimento de combustível de aviação pode levar meses para se normalizar, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, segundo a Iata.
Imagem: Pixabay
O abastecimento de combustível de aviação deve levar meses para voltar à normalidade, mesmo diante de uma possível reabertura do Estreito de Ormuz. O alerta foi feito nesta quarta-feira (8) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo, que representa companhias aéreas em todo o mundo. A entidade aponta que os impactos do conflito no Oriente Médio já comprometeram a capacidade de refino na região, criando um efeito prolongado sobre a oferta global.
A declaração foi dada pelo diretor-geral da Iata, Willie Walsh, durante encontro com jornalistas em Cingapura. Segundo ele, ainda que o fluxo marítimo seja restabelecido rapidamente, a cadeia de produção e distribuição de combustível não se recupera no mesmo ritmo.
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O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em meio às tensões geopolíticas recentes, afetou diretamente o abastecimento de combustível de aviação em escala global. Isso ocorre porque a região é estratégica para o transporte de petróleo e derivados, essenciais para o funcionamento do setor aéreo.
Com a interrupção parcial das operações, refinarias do Oriente Médio tiveram sua capacidade reduzida, comprometendo a produção de querosene de aviação. Como consequência, mesmo com a reabertura das rotas marítimas, há um descompasso entre oferta e demanda.
De acordo com a Iata, o problema não está apenas no transporte da matéria-prima, mas principalmente na retomada da atividade industrial. Refinarias levam tempo para voltar à plena operação, o que explica por que o abastecimento de combustível de aviação não deve se normalizar de imediato.
Custos elevados pressionam companhias aéreas
Outro ponto crítico envolve o impacto financeiro nas empresas do setor. O combustível responde por cerca de 27% dos custos operacionais das companhias aéreas, sendo a segunda maior despesa, atrás apenas da mão de obra.
Com a oferta ainda limitada, a tendência é que o abastecimento de combustível de aviação continue pressionando os custos no curto prazo. Isso pode afetar diretamente o preço das passagens e as margens de lucro das empresas, mesmo em um cenário de queda do petróleo.
Nos últimos dias, o barril recuou para abaixo de US$ 100 após o anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz também contribuiu para uma reação positiva no mercado, impulsionando ações de companhias aéreas.
Recuperação do abastecimento de combustível de aviação será gradual
Apesar da melhora no cenário geopolítico, a recuperação do abastecimento de combustível de aviação deve ocorrer de forma gradual. Willie Walsh destacou que o setor não enfrenta uma crise comparável à da COVID-19, quando houve um colapso quase total da demanda por viagens aéreas.
Segundo ele, o momento atual se assemelha mais a choques anteriores, como os Ataques de 11 de setembro de 2001 ou a crise financeira global de 2008-2009. Nesses episódios, a recuperação ocorreu em alguns meses ou até mais de um ano, dependendo da intensidade dos impactos.
A diferença, agora, é que a demanda por voos segue relativamente resiliente. O principal desafio está na oferta de combustível, o que torna o processo de normalização mais ligado à infraestrutura energética do que ao comportamento dos passageiros.
Perspectivas para o setor aéreo
A expectativa da Iata é que o abastecimento de combustível de aviação continue sendo um fator de atenção ao longo dos próximos meses. Mesmo com a possível estabilização dos preços do petróleo, os gargalos na produção devem manter os custos em patamares elevados no curto prazo.
Para o setor aéreo, isso significa um período de adaptação. Companhias podem buscar estratégias para mitigar impactos, como ajustes de rotas, revisão de preços e otimização de consumo.
Enquanto isso, investidores seguem atentos aos desdobramentos no Oriente Médio e à evolução da capacidade de refino. A reabertura do Estreito de Ormuz é vista como um passo importante, mas não suficiente para resolver rapidamente o problema.