A taxa CDI permeia o mundo dos investimentos como um todo. De forma mais ampla, o indicador costuma ser utilizado como referência de remuneração de títulos de renda fixa e crédito bancário.

A expressão “rende 100% do CDI”, por exemplo, é amplamente conhecida por quem acompanha ofertas de bancos e corretoras. Mas, para além de definições genéticas, é fundamental compreender o significado real de Certificado de Depósito Bancário (CDI).

É justamente disso que falaremos no artigo de hoje. Ao longo deste conteúdo, vamos apresentar como o CDI é calculado, suas aplicações na economia real, seu retrospecto recente e qual o seu impacto sobre os investimentos. Continue a leitura para saber mais.

O que é CDI?

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título emitido pelos bancos no Brasil para realizar empréstimos de curtíssimo prazo entre instituições financeiras. O CDI é uma das principais referências para o mercado financeiro no país.

O indicador funciona como uma taxa de juros que os bancos utilizam para emprestar dinheiro uns aos outros. Ele reflete a taxa média de juros praticada nas operações interbancárias. Essa taxa é calculada diariamente com base nas operações realizadas entre as instituições financeiras e serve como base para diversas operações do mercado.

O CDI é frequentemente utilizado como referência para investimentos, especialmente em renda fixa. Muitos investimentos, como fundos de investimento, CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e títulos públicos, são indexados ao CDI. Dessa forma, é comum ver a rentabilidade de um investimento sendo expressa como uma porcentagem do CDI, como “120% do CDI” ou “90% do CDI”.

Qual o histórico recente da taxa CDI?

O histórico da taxa CDI variou bastante ao longo dos últimos anos, refletindo as condições econômicas e as políticas monetárias adotadas pelo Banco Central do Brasil. O CDI é calculado diariamente, e sua taxa é divulgada como um valor anualizado.

Nos últimos anos, houve variações significativas na apuração do indicador. No período de 2016 a 2020, o Brasil passou por uma crise econômica e política, que resultou em taxas de juros mais altas. Em 2016, por exemplo, a taxa CDI média anual ficou próxima de 14,0%. Nos anos seguintes, houve uma redução gradual na taxa, acompanhando a queda da taxa básica de juros, a Selic.

Em 2020, com a pandemia de COVID-19, o Banco Central adotou medidas de estímulo econômico, reduzindo a taxa Selic a níveis historicamente baixos. Isso também impactou o CDI, fazendo com que suas taxas ficassem próximas à taxa Selic.

A partir de 2021, o Banco Central iniciou um processo de aumento gradual da taxa Selic para controlar a inflação. Como resultado, a taxa CDI acompanhou essa trajetória de alta, registrando valores superiores aos anos anteriores.

Já em 2023, a expectativa é que tenhamos uma queda na taxa básica de juros e consequentemente no próprio CDI. O Banco Central vem dando sinais de que pode rever as diretrizes vigentes da política monetária.

Quanto vale a taxa CDI hoje?

A taxa CDI, em 2023, é de 13,65% a.a.

Vale lembrar que o CDI poderá ser apurado em formato de taxa anual, mensal ou diária. Dessa forma, o CDI mensal, basicamente, corresponde à média das taxas diárias registradas nos últimos 30 dias.

Como o CDI é calculado?

O cálculo do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é feito com base nas operações de empréstimos realizadas entre os bancos. O indicador é apurado diariamente e reflete a média ponderada das taxas de juros negociadas nessas operações.

O processo de cálculo do CDI envolve os seguintes passos:

  • Coleta de dados: as instituições financeiras enviam diariamente informações sobre as operações de empréstimos que realizaram entre si. Esses dados incluem o valor emprestado, a taxa de juros e o prazo do empréstimo.
  • Ponderação das taxas: as taxas de juros informadas pelas instituições são ponderadas conforme o valor emprestado em cada operação. As operações de maior volume têm maior peso na média final.
  • Exclusão de outliers: caso haja taxas de juros extremamente altas ou baixas que possam distorcer a média, elas podem ser excluídas do cálculo.
  • Cálculo da taxa média: a partir das taxas ponderadas, é calculada a média aritmética simples das taxas remanescentes, resultando na taxa CDI do dia.
  • Divulgação: a taxa CDI calculada é divulgada diariamente e expressa como uma taxa anualizada.

É importante destacar que o cálculo do CDI é realizado pelo Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos), atualmente chamada de B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). A B3 é a responsável por compilar os dados enviados pelas instituições financeiras e calcular a taxa CDI.

Qual a relação entre CDI, Selic e taxa DI?

Embora o CDI, a Selic e a taxa DI estejam relacionados, eles têm diferenças importantes entre si. Vejamos quais são elas.

CDI (Certificado de Depósito Interbancário)

Como já mencionado, o CDI é um título emitido pelos bancos no Brasil para realizar empréstimos de curtíssimo prazo entre instituições financeiras. Ele funciona como uma taxa de juros que os bancos utilizam para emprestar dinheiro uns aos outros.

O CDI é calculado diariamente com base nas operações interbancárias e serve como referência para diversas operações financeiras, como investimentos em renda fixa.

Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia)

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil e serve como instrumento para controlar a inflação.

A Selic influencia as taxas de juros praticadas no país, incluindo o CDI. É uma taxa utilizada para operações de curtíssimo prazo entre bancos, mas também serve como referência para títulos públicos e outros investimentos.

Taxa DI (Taxa de Depósito Interfinanceiro)

A taxa DI é muito semelhante ao CDI e geralmente é utilizada como sinônimo. A diferença é que a taxa DI é uma taxa média das operações diárias de empréstimos interbancários, enquanto o CDI é o título emitido pelos bancos que representa essas operações. Na prática, CDI e taxa DI são amplamente usados como equivalentes.

Em resumo, o CDI é o título emitido pelos bancos que representa as operações interbancárias de curto prazo. A Selic, por sua vez, é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central, enquanto a taxa DI é uma média das operações diárias de empréstimos interbancários, frequentemente utilizada como sinônimo do CDI.

Como a taxa CDI influencia os investimentos?

Exerce uma influência significativa sobre diversos tipos de investimentos, especialmente aqueles de renda fixa. Vejamos como isso acontece na prática.

Rendimentos de investimentos

Muitos produtos de investimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e fundos de investimento são indexados ao CDI. A rentabilidade desses investimentos é frequentemente expressa como um percentual do CDI. Por exemplo, um CDB que paga 110% do CDI significa que seu rendimento será 10% acima da taxa CDI.

Rentabilidade de fundos de investimento

Muitos fundos de investimento, como os fundos DI, têm como objetivo acompanhar de perto a taxa CDI. A rentabilidade desses fundos está diretamente ligada à variação do CDI. Quando a taxa CDI sobe, espera-se que a rentabilidade desses fundos também aumente, e vice-versa.

Referência para comparação

A taxa CDI é frequentemente usada como um parâmetro para comparar a rentabilidade de diferentes investimentos. Os investidores podem avaliar se um determinado investimento está superando ou ficando aquém do desempenho do CDI.

Cálculo de juros

Em alguns casos, a taxa CDI é utilizada para calcular juros de empréstimos ou financiamentos. Por exemplo, um empréstimo pode ser estabelecido como “CDI + 5% ao ano”, o que significa que os juros serão a taxa CDI acrescida de 5%.

Quais investimentos são atrelados ao CDI?

Vários investimentos são atrelados ao CDI no mercado financeiro brasileiro. Vamos conhecer quais são os principais deles:

1. CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Muitos CDBs são indexados ao CDI, o que significa que o rendimento do investimento é determinado por uma porcentagem do CDI. Por exemplo, um CDB que paga 110% do CDI terá um rendimento de 10% acima da taxa CDI.

2. LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

Assim como os CDBs, as LCIs e LCAs podem estar vinculadas ao CDI. Nesse caso, o rendimento dessas letras de crédito também será baseado em uma porcentagem do CDI.

3. Fundos DI

Os fundos DI são fundos de investimento cuja principal estratégia é acompanhar a variação do CDI. Eles investem em títulos de renda fixa, como CDBs e títulos públicos, que são atrelados ao CDI. A rentabilidade desses fundos tende a refletir a taxa CDI.

4. Fundos de Renda Fixa

Alguns fundos de renda fixa utilizam o CDI como referência para a composição de suas carteiras. Embora possam incluir outros ativos além daqueles indexados ao CDI, a taxa CDI pode ser um indicador importante para a rentabilidade desses fundos.

5. Debêntures

Alguns tipos de debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas, podem ter rentabilidade atrelada ao CDI. Essas debêntures oferecem uma taxa de juros fixa ou uma porcentagem do CDI, proporcionando aos investidores um retorno variável conforme a variação do índice.

Agora que você já sabe tudo sobre a taxa CDI, convidamos você a conferir mais um conteúdo publicado em nosso blog. Desta vez, falamos sobre Fundos de renda fixa: como investir nessa modalidade.

Resumindo

O que é CDI?

O CDI é um título emitido pelos bancos no Brasil para realizar empréstimos de curtíssimo prazo entre instituições financeiras. Trata-se de uma das principais referências para o mercado financeiro no país. O CDI é frequentemente utilizado como referência para investimentos, especialmente em renda fixa.

Quanto vale a taxa CDI hoje?

A taxa CDI, em 2023, é de 13,65% a.a. Vale lembrar que o CDI poderá ser apurado em formato de taxa anual, mensal ou diária. Dessa forma, o CDI mensal, basicamente, corresponde à média das taxas diárias registradas nos últimos 30 dias.

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