Avaliar a volatilidade dos preços do mercado de criptoativos é um grande desafio, especialmente aqueles interessados em stablecoins. Enquanto alguns abraçam essa volatilidade como uma oportunidade, outros procuram alternativas que permitam transações sem o risco associado às flutuações de valor.

É aí que as stablecoins emergiram como alternativa inovadora. Estabelecidas a partir de uma necessidade de estabilidade em um mercado caracterizado pela volatilidade, as stablecoins representam uma classe única de criptomoedas que buscam manter um valor estável em relação a uma moeda tradicional ou ativo subjacente.

Veremos em detalhes quais são as principais características dessa promissora classe de criptomoedas. Acompanhe!

O que é Stablecoin?

As criptomoedas já são uma realidade estabelecida e se tornaram uma opção de investimento cada vez mais comum. Em geral, os preços dessas moedas digitais são determinados principalmente pela demanda dos investidores. No entanto, a volatilidade dessas das criptos é uma preocupação para muitos, levando à busca por alternativas mais estáveis.

É nesse contexto que surgem as stablecoins: criptomoedas projetadas especificamente para manter uma relação estável com um ativo de referência. Geralmente, essas stablecoins são “pareadas” a algum ativo que já possui um valor próprio. O dólar americano é o ativo mais comum usado como referência, resultando no que é conhecido como “dólar digital”. No entanto, também é possível vinculá-las a outros ativos, como ouro ou ações de uma empresa.

A principal ideia por trás das stablecoins é que elas sigam as cotações do ativo ao qual estão pareadas. Por exemplo, se o dólar está cotado a R$ 5,60, uma stablecoin vinculada ao dólar terá o mesmo valor. Dessa forma, as stablecoins oferecem uma alternativa mais previsível e confiável em comparação às criptomoedas tradicionais.

Diferença entre Stablecoin e as tradicionais criptomoedas

Em resumo, as criptomoedas mais “tradicionais”, como o Bitcoin e o Ethereum, têm seus valores determinados pela oferta e demanda no mercado, o que pode levar a uma volatilidade significativa de preços. Por exemplo, o preço do Bitcoin pode subir ou cair drasticamente em um curto período de tempo.

Por outro lado, as stablecoins são criptomoedas projetadas para terem um valor estável, geralmente atrelado a uma “moeda física”, como o dólar americano ou o euro. Isso é alcançado através de mecanismos como reservas em moeda fiduciária, algoritmos de estabilização ou colateralização em ativos seguros.

Quais os tipos de Stablecoins?

Assim como os outros criptoativos,  as stablecoins também operam dentro de uma blockchain que garante segurança e transparência nas transações digitais. Ao contrário de outras criptomoeda, as stablecoins exigem que a empresa emissora mantenha reservas equivalentes do ativo atrelado, seja em moeda fiduciária, criptomoedas, commodities ou algoritmos controlados.

Os tipos de stablecoins disponíveis no mercado incluem:

Stablecoins lastreadas em moeda fiduciária

Estas stablecoins são as mais conhecidas e comuns. Elas são garantidas por reservas em moedas fiduciárias, como dólar dos Estados Unidos, euro ou até mesmo real. A empresa emissora mantém em suas reservas uma quantidade correspondente da moeda fiduciária que respalda cada unidade da stablecoin em circulação. Isso oferece aos usuários uma garantia direta de que podem resgatar a stablecoin por uma quantia equivalente em moeda fiduciária. Exemplos proeminentes incluem Tether (USDT) e USD Coin (USDC).

Stablecoins lastreadas em criptomoedas

Ao contrário das stablecoins lastreadas em moeda fiduciária, estas são garantidas por criptomoedas. Isso é geralmente feito por meio de contratos inteligentes que travam uma quantidade específica de criptomoedas como garantia para cada unidade da stablecoin. Essas stablecoins são projetadas para manter uma paridade com o ativo subjacente, frequentemente Bitcoin ou Ethereum, e são “super colateralizadas” para mitigar riscos de volatilidade. Um exemplo notável é a MakerDAO (DAI).

Stablecoins lastreadas em commodities

Este tipo de stablecoin é garantido por ativos físicos, como metais preciosos. Cada unidade da stablecoin está vinculada a uma quantidade específica do ativo subjacente, proporcionando aos detentores uma forma de exposição ao mercado de commodities sem a necessidade de lidar diretamente com o ativo físico. Um exemplo representativo é a PAX Gold (PAXG), que é lastreada em ouro.

Stablecoins não-colateralizadas / algorítmicas

As stablecoins algorítmicas operam de maneira diferente das mencionadas anteriormente. Elas não são lastreadas por ativos tangíveis, nem por criptomoedas, mas sim são controladas por algoritmos que ajustam o fornecimento da stablecoin conforme necessário para manter seu valor estável. Esses algoritmos são projetados para expandir ou contrair o fornecimento de tokens em circulação com base nas condições do mercado.

Stablecoins híbridas

Estas stablecoins combinam características de diferentes tipos mencionados acima. Elas podem ter uma reserva de ativos tangíveis, como moedas fiduciárias ou commodities, enquanto também usam algoritmos para ajudar a manter a estabilidade de preço. Essa abordagem híbrida visa combinar as vantagens de diferentes modelos para proporcionar uma forma mais robusta de stablecoin.

Quais são as principais Stablecoins?

Existem algumas Stablecoins que se destacam em popularidade e valor de mercado, sendo as mais “famosas” do mercado. São elas:

Tether (USDT): Esta stablecoin é amplamente reconhecida como a mais popular do mercado, ocupando consistentemente posições de destaque entre as criptomoedas de maior capitalização. Lastreada pelo dólar americano, cada unidade de USDT equivale a um dólar. No entanto, preocupações surgiram sobre a veracidade das informações relacionadas às reservas de dólares que respaldam a USDT, com alegações de insuficiência de reservas e possíveis crimes financeiros.

TrueUSD (TUSD): Outra stablecoin pareada com o dólar americano em uma relação de 1:1. Sua equipe, composta por ex-funcionários de instituições renomadas como UC Berkeley, PwC e Google, goza de uma reputação sólida no mercado. A TrueUSD se destaca por seu compromisso com a transparência, fornecendo relatórios regulares e publicando atestados em redes sociais como o Twitter.

Pax Gold: Emitida pela Paxos Trust Company, esta stablecoin oferece um diferencial ao representar uma fração específica de ouro, 31,1 gramas, por token. Ao contrário do investimento tradicional em ouro, a Pax Gold permite acesso fácil a esse ativo, com a custódia das reservas assegurada pela Brink’s, uma empresa listada na bolsa de valores dos EUA.

DAI: Esta é uma stablecoin descentralizada emitida pela plataforma MakerDAO (MKR). Embora seu valor seja relacionado ao dólar, o pareamento é feito com um fundo de criptomoedas depositado pelos usuários. Para evitar a volatilidade, há uma reserva maior do que o valor emitido de DAI, além de um algoritmo complexo para manter a estabilidade. A MakerDAO enxerga sua criptomoeda como uma nova abordagem das stablecoins.

USDCoin (USDC): Desenvolvida pela joint venture CENTRE, a USDC é outra stablecoin pareada com o dólar. Para auditar as reservas, a empresa conta com a Grant Thornton, escolhida pelos próprios emissores da USDC.

Avaliação do S&P Global

Em dezembro de 2023, o S&P Global, organização conhecida pela elaboração do Índice S&P 500, que destaca as grandes empresas listadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos, divulgou uma avaliação de classificação das stablecoins.

De acordo com a empresa, para determinar suas classificações, são realizadas etapas que incluem a análise dos riscos de qualidade dos ativos, a consideração de fatores mitigantes desses riscos, bem como a avaliação de governança, quadro legal e regulatório, resgatabilidade e liquidez, tecnologia, dependências de terceiros e o histórico da moeda.

Ranking das melhores stablecoins de acordo com a avaliação do S&P Global:

  • Muito Forte: nenhuma;
  • Forte: USDC, USDP, GUSD;
  • Adequado: nenhuma;
  • Restrita: USDT, FDUSD, DAI;
  • Fraca: FRAX, TUSD.

Como investir em Stablecoins?

No Brasil, o investimento nesta modalidade é feito de maneira prática, podendo ser adquirida diretamente nas exchanges. Muitas corretoras de criptomoedas permitem a compra e venda de stablecoins diretamente em suas plataformas. Basta criar uma conta, depositar fundos e comprar as stablecoins desejadas. Outras maneiras comuns de investir em stablecoins:

Plataformas de negociação ponto a ponto (P2P): Em algumas plataformas P2P, você pode comprar stablecoins diretamente de outros usuários. Isso pode oferecer maior flexibilidade em termos de métodos de pagamento e taxas, mas é importante tomar precauções para garantir a segurança da transação.

Plataformas de empréstimo e empréstimo de criptomoedas: Algumas plataformas permitem emprestar suas stablecoins para outros usuários em troca de juros. Isso pode ser uma forma de obter retornos adicionais sobre seus investimentos em stablecoins, embora também envolva riscos adicionais.

Plataformas de staking: Algumas stablecoins são baseadas em blockchain e suportam o staking, onde você pode travar suas moedas em uma carteira específica para ajudar a validar transações na rede e, em troca, receber recompensas na forma de mais moedas.

Fundos de investimento: Alguns fundos de investimento oferecem exposição a stablecoins por meio de veículos de investimento tradicionais, como fundos de índice ou fundos de hedge especializados em criptomoedas.

Afinal, vale a pena investir?

Em conclusão, as stablecoins apresentam uma série de vantagens que as tornam uma opção atraente para investidores em busca de estabilidade e segurança no mercado das criptomoedas. Sua principal vantagem reside na estabilidade de preço, uma vez que estão atreladas a moedas fiduciárias como o dólar, o que reduz significativamente a volatilidade e, consequentemente, o risco de perdas financeiras.

Entretanto, é necessário ponderar os riscos, o status regulatório das stablecoins ainda não está completamente definido em muitas jurisdições, logo, mudanças na regulamentação podem afetar a operação e a aceitação das stablecoins, criando incertezas para os investidores.

Vale lembrar que este tem um viés 100% informativo e não se trata de uma recomendação de compra. Para decisões acertadas, conte com o apoio de um assessor de investimentos capacitado. 

Pedro Gomes

Jornalista e Redator do Melhor Investimento.