A economista Claudia Goldin é um símbolo de conquista e inspiração. Em 2023, ela se tornou a terceira mulher a receber o Prêmio Nobel de Economia. Goldin foi reconhecida por sua pesquisa inovadora sobre a evolução da participação feminina no mercado de trabalho e as causas da disparidade salarial entre gêneros.

O trabalho da pesquisadora, dedicado a desvendar as complexas relações entre gênero e economia, busca ajudar na construção de um futuro mais justo e igualitário. 

A história de Claudia Goldin se torna ainda mais significativa no Mês da Mulher. Nesse momento, são celebradas as conquistas femininas e a luta por uma sociedade mais equitativa, iluminando o caminho para as próximas gerações de mulheres que desejam construir carreiras de sucesso.

O Melhor Investimento reuniu a trajetória e as descobertas de Claudia Goldin. Continue lendo!

Quem é Claudia Goldin?

Nascida em 14 de maio de 1946, em Nova York, Claudia Goldin é uma economista norte-americana que se tornou referência nos estudos sobre Gênero e Trabalho, além de trilhar um caminho notável na Economia.

Mesmo que seus sonhos de infância girassem em torno da Arqueologia e da Microbiologia, Goldin encontrou sua verdadeira paixão na Economia ao ingressar na Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova York.

Após conquistar o PhD na Universidade de Chicago, onde se interessou pela Economia do Trabalho sob a influência do renomado Gary Becker, Goldin dedicou-se a desvendar as relações entre mulheres e trabalho. 

Ao longo de sua carreira, lecionou em universidades de prestígio como Wisconsin-Madison, Princeton e Pensilvânia, até chegar a Harvard em 1990. Ela foi a primeira mulher a ser professora titular do departamento de economia de Harvard.

Inspirada pelos movimentos feministas da década de 1970, Goldin preencheu uma lacuna na pesquisa e abrindo caminho para uma melhor compreensão das desigualdades no mercado de trabalho. Seu ensaio autobiográfico “The Economist as Detective”, publicado em 1998, oferece um relato de sua trajetória e de sua luta por uma Economia mais justa e inclusiva.

Atualmente, é professora da Universidade Harvard e, em 2023, recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em reconhecimento por suas pesquisas pioneiras.

Claudia Goldin é um exemplo de como paixão, perspicácia e compromisso com a justiça social podem impulsionar mudanças significativas na sociedade.

Qual é a trajetória de Claudia Goldin?

Ao longo de sua carreira, Goldin se dedicou a estudar a história da participação das mulheres na economia americana, tornando-se referência nesse campo. Ela foi pioneira em usar dados históricos para analisar as disparidades de gênero no mercado de trabalho e na educação.

A segunda onda do movimento feminista, que buscava ampliar os direitos e oportunidades das mulheres, marcou a década de 1970 nos Estados Unidos. Nesse contexto, Claudia Goldin iniciou seus estudos, com foco no “gender gap”, as desigualdades de gênero que permeiam a sociedade. 

Nas redes sociais, uma publicação do Nobel diz que Claudia Goldin teceu um panorama histórico ao longo de 200 anos através de meticulosa coleta e análise de dados dos EUA. A pesquisa desvenda as nuances de como e por que as disparidades de gênero em ganhos e taxas de emprego se transformaram ao longo do tempo. No cenário global, as mulheres ainda lutam contra a sub-representação no mercado de trabalho, enfrentando salários inferiores aos dos homens mesmo quando assumem funções profissionais.

Em 1972, concluiu sua tese de doutorado sobre a dinâmica do trabalho escravo nas cidades americanas do século XIX. Já na década de 1980, Goldin publicou diversos artigos sobre a história da participação das mulheres na força de trabalho americana.

Quais são os prêmios de Claudia Goldin?

Em 1990, tornou-se a primeira mulher a receber tenure no Departamento de Economia de Harvard. Goldin recebeu o Prêmio Mincer da Sociedade de Economistas do Trabalho em 2009 e presidiu a Associação Americana de Economia entre 2013 e 2014.

Outro marco importante é o recebimento do Prêmio IZA de Economia do Trabalho em 2016. Em 2023, a pesquisadora recebeu o Prêmio Nobel Memorial de Ciências Econômicas por suas pesquisas sobre o papel da mulher no mercado de trabalho.

Goldin também dirigiu o Programa de Desenvolvimento da Economia Americana do NBER entre 1989 e 2017. Nos dias atuais, atua como codiretora do grupo de estudos de gênero na economia do Programa de Desenvolvimento da Economia Americana do National Bureau of Economic Research (NBER).

Claudia Goldin é uma das economistas mais influentes do mundo. Seu trabalho contribuiu para a compreensão das causas da desigualdade de gênero no mercado de trabalho e inspirou novas pesquisas sobre o tema.

Conheça as 5 descobertas de Claudia Goldin

Os estudos da pesquisadora revelaram como fatores sociais e históricos moldaram a trajetória profissional das mulheres e as desigualdades que persistem até hoje. Confira as contribuições e descobertas de Claudia Goldin:

1. A participação feminina no mercado de trabalho não foi alterada pelo desenvolvimento econômico

Em seu livro “Understanding the Gender Gap: An Economic History of American Women”, lançado em 1990, a economista Claudia Goldin navega pela história da participação feminina no mercado de trabalho. 

Desconstruindo crenças populares, ela revela que o desenvolvimento econômico global não resultou em um aumento significativo da presença feminina em trabalhos remunerados ou na diminuição da disparidade salarial entre os gêneros.

No século 18, a proporção de mulheres trabalhando era similar à do final do século 20, com uma presença significativa em diversos setores da economia. Já no século 19, a industrialização representou um desafio para o trabalho feminino fora de casa, com a crescente mecanização e concentração das atividades em fábricas.

No final dos anos 1960, a introdução da pílula anticoncepcional proporcionou às mulheres maior controle sobre a reprodução e planejamento familiar, impulsionando um aumento gradual da participação feminina no mercado de trabalho.

A pesquisadora destaca a desigualdade salarial na história:

  • Revolução Industrial (1820-1850): a alta demanda por trabalhadores nas fábricas, combinada com a escassez de mão de obra masculina, resultou em uma redução da disparidade salarial entre homens e mulheres.
  • 1930-1980: a valorização de carreiras que não sofriam interrupções por gravidez, como as de colarinho branco, contribuiu para o aumento da desigualdade salarial entre os gêneros.
  • 2010: a redução da jornada de trabalho após a maternidade emerge como um dos principais fatores da disparidade salarial de gênero, evidenciando os desafios da conciliação entre trabalho e família.

2. O trabalho flexível pode contribuir para equidade de gênero no trabalho

A disponibilidade para o trabalho é um dos principais elementos valorizados pelos empregadores. Aqueles que possuem flexibilidade nesse quesito são remunerados desproporcionalmente mais do que aqueles que não podem trabalhar fora do horário comercial.

Isso significa que a oferta de flexibilidade pelas empresas aos seus funcionários pode gerar menos penalidades para as mulheres que precisam tirar tempo do trabalho para lidar com a família. Ao mesmo tempo, isso também estimula os homens a também assumirem papéis de cuidado.

No entanto, Goldin reconhece que as empresas precisam investir na cultura organizacional para oferecer flexibilidade aos seus funcionários. Apesar do desenvolvimento tecnológico e a transformação dos modelos de trabalho durante a pandemia terem estimulado a flexibilidade, a ideia ainda não é amplamente aceita no mercado de trabalho.

3. A desigualdade na divisão do trabalho doméstico atrapalha as mulheres em suas carreiras

Goldin identificou que a expectativa de que as mulheres sejam as principais cuidadoras da família impacta negativamente suas carreiras. A “disponibilidade incessante” para o trabalho doméstico e familiar limita o tempo que elas podem dedicar ao trabalho remunerado, levando a menor progressão profissional e salários mais baixos.

A cultura do “trabalho ganancioso” permeia o mercado de trabalho, recompensando a disponibilidade incessante com maiores benefícios. Como consequência, funcionários dispostos a trabalhar a qualquer hora – noites, fins de semana, férias e plantões – são os mais valorizados.

Entretanto, o problema surge quando essa recompensa é desproporcional ao tempo investido. Dobrar a jornada de trabalho nem sempre significa dobrar a remuneração. Quem não pode se dedicar a essa cultura acaba ficando em desvantagem.

É aqui que a desigualdade de gênero entra em cena. As mulheres, historicamente responsáveis pelo trabalho doméstico e familiar, são as mais afetadas. Como aponta a economista Claudia Goldin, tal cenário as leva a receber menos e ter suas carreiras prejudicadas.

4. O primeiro filho e a amplificação da desigualdade no mercado de trabalho

O estudo de Claudia Goldin revela que a disparidade salarial entre homens e mulheres se intensifica consideravelmente após o nascimento do primeiro filho. Essa mudança importante na vida familiar também impacta a forma como as mulheres gerenciam suas carreiras. 

As mães frequentemente optam por reduzir a jornada de trabalho, tirar licença-maternidade ou migrar para cargos menos exigentes e com maior flexibilidade. Dessa forma, elas priorizam trajetórias e empresas que penalizam menos os funcionários que precisam se ausentar do trabalho.

Segundo Goldin, essa mudança de trajetória após a maternidade é o principal fator que explica por que as mulheres enfrentam maiores desafios em suas carreiras por pelo menos uma década após o nascimento do primeiro filho.

5. O anticoncepcional permitiu que as mulheres se dedicassem às suas carreiras

Um dos estudos mais importantes de Goldin foi sobre o impacto da pílula anticoncepcional na força de trabalho feminina. 

Em 2002, Goldin e o professor Lawrence Katz, no artigo “O Poder da Pílula: Contraceptivos Orais e Decisões de Carreira e Casamento das Mulheres”, demonstram como a pílula anticoncepcional e a desvinculação do trabalho reprodutivo do casamento impulsionaram a entrada das mulheres no mercado de trabalho.

Ela concluiu que a pílula deu às mulheres mais controle sobre sua fertilidade, permitindo que elas planejassem melhor suas carreiras e adiassem a gravidez para se dedicar aos estudos e ao trabalho.

Quais foram as outras mulheres a vencerem o Nobel de Economia?

Elinor Ostrom, da Universidade de Indiana, se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel de Economia em 2009. Ela dividiu o prêmio com Oliver E. Williamson, da Universidade da Califórnia, ambos reconhecidos por suas pesquisas inovadoras sobre governança econômica.

O trabalho de Ostrom contribuiu para a compreensão de como os recursos naturais e sistemas sociais podem ser gerenciados de forma eficaz. A ideia é desafiar a visão tradicional de que a propriedade privada ou a regulamentação estatal são as únicas opções viáveis.

Dez anos depois, Esther Duflo conquistou o Nobel de Economia juntamente com Michael Kremer e Abhijit Banerjee em 2019. O trio de economistas foi reconhecido por seus estudos sobre o combate à pobreza. Os estudos se concentraram em ações direcionadas à saúde infantil e ao desempenho escolar. 

As pesquisas de Duflo e seus colegas forneceram dados sobre como políticas públicas e programas sociais podem ser implementados de forma eficaz para reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento social e humano.

As conquistas de Elinor Ostrom, Esther Duflo e Claudia Goldin representam marcos importantes na história do Prêmio Nobel. Isso pelo reconhecimento do valor e da importância das contribuições femininas para a área da Economia.

Enquanto isso, as descobertas de Claudia Goldin são fundamentais para entender os desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho. Além disso, com esses estudos, é possível formular políticas públicas que promovam a igualdade de gênero. Seu trabalho inspira e motiva a luta por um mundo mais justo e equitativo para todos.

Carolina Gandra

Redatora do Melhor Investimento. Formada em Jornalismo, com 2 anos de experiência em redação de textos para diferentes nichos de mercado.